Lena Lustosa
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Equilíbrio
 
 
Falar de sentimentos é como discutir o "sexo dos anjos", mesmo assim,  vou me aventurar nessa seara. O medo dos sentimentos tem sido algo constante na história da humanidade, que tem buscado, por todos os meios, controlá-los ou aprisioná-los.
  
Sou aficionada por filme de ficção e, recentemente, lembrei-me de um filme antigo chamado Equilibrium (2002). Não fez tanto sucesso quanto Matrix, mas o enredo é bom. Ele trabalha bem essa ideia  de se controlar os sentimentos, tido como responsável pelo "caos" em que ficou o mundo após a Terceira Guerra Mundial.

Observo também que nos filmes em geral, quando apresentam seres alienígenas, geralmente eles são desprovidos de sentimentos, são extremamente racionais, contrapondo-se à humanidade que se perde num "emaranhado de sentimentos".

Em "Equilibrium", as pessoas vivem em paz, após quase ter sido dizimada a raça humana. Tudo é aparentemente perfeito, não há mais guerras, choro, tristeza ou doenças, pois logo após a "grande guerra", diante do "caos"  e "incertezas"  em que se encontrava a humanidade, surgiu um salvador da pátria - sempre tem um -,  que teve a grande ideia de inventar uma injeção para neutralizar os sentimentos das pessoas.
 
Sem sentir, não há mais nada pelo que lutar, pois os desejos e sonhos já não existem, não há mais sorrisos, cheiros, sabores ou choro e, principalmente, não há mais amor;  sexo é somente para procriar. Tudo passou a ser um ato mecânico, os livros são queimados, a arte esquecida e os animais sacrificados.
 
Tudo se resume na proteção da espécie humana e em manter a forma de vida nos padrões estabelecidos pelo "Salvador da Pátria". Como não há mais violência, a função da policia é unicamente fiscalizar quem deixa de tomar o inibidor de sentimentos, que  se descoberto é condenado a morte. As próprias mães entregam seus filhos para a morte.
 
Atualmente, vivemos sob a égide do medo e da violência urbana, num mar de incertezas e desilusões, não duvido que alguém nos apresente, num futuro próximo, algo real que imite a ficção.

A pergunta a fazer é: Valeria a pena perdermos todos os nossos sentimentos em prol de vivermos em paz, sem doenças, violência, guerras e sem amor?  No meu entender não, não me convém viver  cem anos sem amor, sem paixão, sem os meus pensamentos "tortos" e "contraditórios", mas que representam o que acredito, sem precisar que seja unanimidade.


Prefiro o "caos" das incertezas, das desilusões, das paixões efêmeras, de chorar  pela morte dos que amo e de viver as dores e alegrias do amor. Enfim, perder  a capacidade  de  ter sentimentos, mesmo por uma boa causa, é tirar a humanidade do  "ser humano".  E essa capacidade, entendo ser o que  mantêm o universo em  equilíbrio, uma vez sem sentir, já não há humanidade a ser salva.

 
Acredito que o mundo possa ser melhor, pois as paixões e vaidades que nos  levam à guerra, à morte e a dor, são sentimentos inerente às pessoas que também  têm a capacidade de amar; e um dia, evoluiremos para que o amor se sobreponha aos sentimentos egoístas que temos.

Que graça teria um mundo sem  o amor em todas as suas formas? Creio eu, sem comprovação cientifica alguma, que os seres que amam são os que estão na mais alta escala da evolutiva, porquanto, como explicar o sentimento por nossos filhos, pelos quais sacrificamos a vida sem pensar, ou ainda, por aquela pessoa que nos acalenta o coração, que mesmo quando o universo diz "não" o coração saltita de emoção numa simples lembrança?


 
Difícil explicar o amor, que de tão sublime  não requer explicação. É algo tão fantástico que faz a pior vida valer a pena, pois tem o poder de transformar o "caos" em paz, o desespero em esperança, a decepção em recomeço; que nos faz perder a cabeça, passar noites em claro, sonhar acordados, ganhar asas, tecer versos, vê poesia no sol e chorar pela lua. 
 

Mesmo com todos os sofrimentos que o amor nos trás, ainda prefiro - o à racionalidade rasa das pessoas "mornas" e "amargas" aprisionadas no medo de amar, que perdem a vida criticando os que se arriscam, que se deixam queimar na fogueira dos sentimentos e que vivem o amor em qualquer de suas formas.  

A vida é finita, cada momento é importante. Ela é  dor e alegria - não importa se linear ou em gangorra -, o importante é ter o amor como guia. Se todos temos que morrer, que seja por amor e não pela falta dele.

 
Lena Lustosa
Enviado por Lena Lustosa em 23/04/2018
Alterado em 24/04/2018
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